Na vida, nada deve ser receado, tudo deve ser compreendido.
Marie Curie

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lentificação Psicomotora


A lentificação psicomotora consiste num estado de diminuição dos movimentos que se tornam mais pobres e mais lentos com inexpressividade mímica aumento do tempo de latência nas respostas verbais e motoras, lentificação do pensamento e redução da actividade motora, que pode ir mesmo até à imobilidade. Pode conhecer diferentes graus de intensidade desde uma lentificação psicomotora ligeira até à inibição psicomotora.

Estes estados de lentificação psicomotora podem também estar relacionados com perturbações mentais como:

- Perturbações Mentais Orgânicas: a lentificação psicomotora é comum em encefalites, doença de Parkinson e tumores cerebrais;

- Intoxicações Agudas: em particular com substâncias depressoras do sistema nervosa central;

- Estados Depressivos: a lentificação é uma manifestação frequente nas depressões em contexto de humor deprimido, lentificação do pensamento e baixa auto-estima, podendo chegar a quadros de inibição psicomotora intensa no caso de depressões psicóticas.

Agitação Psicomotora

A agitação psicomotora consiste num estado de inquietação com aumento dos movimentos, com experiência de sensação tensão interna importante, podendo manifestar-se desde graus ligeiros a muito intensos, com manifestações eventuais de agressividade.

O sujeito agitado movimenta-se constantemente, grita e tenta afastar tudo o que aparece pelo seu caminho.

Os estados de agitação psicomotora podem também estar relacionados com um diverso conjunto de perturbações mentais como:

- Perturbações Mentais Orgânicas onde a agitação psicomotora se insere num quadro de estado de perturbação da consciência (delírio) que pode ter causas múltiplas, cerebrais ou extracerebrais. Na maior parte das vezes, a intensidade da agitação acentua-se ao fim da tarde e noite acompanhada por um agravamento vespertino e nocturno da alteração da consciência, da desorientação e das alterações perceptivas;

- Esquizofrenias onde a agitação esquizofrénica ocorre frequentemente no episódio esquizofrénico agudo, relacionada com as ideias delirantes e em estado de consciência clara, mas também nas crises de agitação catatónica;

- Psicoses Tóxicas em que a agitação aparece em síndromas de abstinência (álcool) e intoxicações agudas (álcool, cocaína e anfetaminas);

- Estados Maníacos onde a agitação maníaca é um quadro típico se está inserido num estado de euforia patológica com aceleração do pensamento e expansão do Eu;

- Estados Ansiosos porque a ansiedade se faz acompanhar frequentemente de inquietação motora;

- Depressões onde por vezes estas evoluem com agitação, em particular as depressões associadas à ansiedade (depressões agitadas);

- Perturbações de Personalidade do tipo histriónico, limite (borderline), anti-social, tendem a desenvolver agitação em situações de confronto com acontecimentos indutores de stresse.

Luto



O Luto é um processo natural que ocorre sempre que há uma perda significativa na vida de alguém. Essa perda pode ser de natureza diversa, como por exemplo, morte de um ente próximo, perda de um emprego, uma modificação corporal, uma alteração importante das condições de vida como uma separação, um divórcio ou término de uma relação, perda por roubo, a não concretização de um sonho, perda da junventude, perda de controlo, a perda do papel de pai ou de mãe quando os filhos saem de casa. Ao olhar e compreender a dor da perda num sentido mais amplo, pode-se sofrer por algo quase toda a sua vida. Apesar disso, a dor da perda é diferente para todos.

O luto pode também constituir parte integrante de um processo de crescimento psico-emocional.

Contudo, a dificuldade em encarar o fim da vida, como parte da existência é o que faz do luto uma experiência tão apavorante e dolorosa. Desde de criança que o ser humano é treinado para não perder e, ao invés de se trabalharem também as perdas, porque fazem parte da vida, incentivamos as crianças a ganhar e acumular ganhos.
Os pais protegem os filhos de frustrações e, perder é essencial para entender que nada na vida é permanente. Na infância perdemos jogos, objectos e até pessoas (normalmente os avós). Assim, a preparação para encarar a morte de forma menos traumática é possível e começa na infância.
As crianças podem ir aos funerais e é importante que lhes demos respostas honestas (sempre adequadas à idade), acerca da morte, em vez de respostas fantasiosas, como a de que a pessoa foi para o céu, viajou ou tornou-se uma estrelinha. No dia-a-dia é preciso falar das perdas como parte da vida. Ensinar as crianças sobre a finitude ajuda a objectivar a existência, reduzindo a angústia existencial.
O processo de luto é essencialmente entendido como uma resposta à perda, uma expressão que pode incluir tristeza, fadiga, depressão, alívio, choque, raiva, culpa e ansiedade. A importância da perda depende da importância da relação que tenha sido cortada. Os recursos individuais e sociais de apoio para lidar com a perda variam. Algumas pessoas são capazes de realizar sozinhas a elaboração do luto enquanto outras necessitam de apoio de outros.


Características do Luto Patológico:

* Comportamentos de dor semelhante aos da pessoa que sofre de Depressão, incluindo distúrbios do sono e do apetite, tristeza intensa, esses comportamentos são apenas evidentes para um curto período de tempo numa reação de luto;

* Intensos sentimentos de solidão e isolamento após a perda podem tornar-se tão esmagadores que a pessoa pode retirar-se do convívio social, isolando-se até desse suporte;

* A raiva é uma emoção frequente na sequência de uma perda e é muitas vezes confusa para quem a sente e para os que o rodeiam. Pode ser dirigida ao falecido para deixar o luto ou pode resultar de um sentimento de frustração e de culpa pela morte, onde a raiva é virada contra si próprio;

* O luto é uma montanha russa emocional e um fator de stress emocional elevado pelo que não só provoca distúrbios emocionais, mas também sintomas físicos, tais como: peito apertado, sensibilidade excessiva ao ruído, falta de ar, fraqueza muscular e falta de energia. Ocasionalmente a saúde física pode ser seriamente prejudicada, e é crescente a evidência clínica de que as pessoas recentemente enlutadas são relativamente vulneráveis ​​à doença física.


Tratamento:

Quando se verificam algumas das situações atrás descritas, em que o processo de luto se desenvolve de um modo disfuncional e mal adaptativo, deve recorrer-se a ajuda especializada.
Nestes casos, torna-se necessária a implementação de uma intervenção específica, que pode incluir a utilização de psicofármacos e a psicoterapia.

A Psicoterapia é uma enorme ajuda para elaborar o Processo de Luto. O objetivo da terapia do Luto é identificar e facilitar a resolução de dificuldades que impedem o indivíduo de completar as tarefas de Luto.

A psicoterapia poderá constituir uma mais valia, na medida em que é um espaço no qual o paciente pode expressar a sua dor, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento de mecanismos internos que permitem superar as fixações ou bloqueios, com vista à aceitação da perda e a um reposicionamento no mundo real (Parkes, 1998).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pica



Consiste na ingestão repetida e persistente de substâncias não nutritivas e impróprias à alimentação, tais como terra, gelo, fezes, barro, giz, cinza, cabelo, unhas, entre outros, que nos adultos pode observar-se em indivíduos com psicoses esquizofrénicas, demências, autismo e debilidades mentais.
Para que estas acções sejam consideradas como pica, devem persistir por mais de um mês.

Nas crianças, a pica pode levar à intoxicação que pode resultar num prejuízo no desenvolvimento físico e mental. Além disso, pode levar a emergências cirúrgicas devido a uma obstrução intestinal, assim como os sintomas mais sutis, tais como deficiências nutricionais e parasitoses.



Factores como a privação materna, questões familiares, negligência parental, gravidez, pobreza e uma estrutura familiar desorganizada estão fortemente ligados a este distúrbio.


TRATAMENTO

A terapia tem sido utilizada com sucesso. Em alguns casos, o tratamento é tão simples como abordar o fato do sujeito ter este transtorno e perceber porque é que o tem.
Opções de tratamento com base no comportamento podem ser úteis para indivíduos portadores de deficiência mental e doente mental com pica.  Estes podem envolver a utilização de reforço positivo do comportamento normal.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Personalidade Esquizotípica


Este tipo de personalidade é caracterizado por uma aparência excêntrica e o comportamento do sujeito com esta personalidade pode ser estranho. Este mode geral de funcionamento induz um défice interpessoal marcado por competências sociais reduzidas e distorções cognitivas e perceptivas. O discurso é impreciso, digressivo e abstracto mas não completamente desorganizado. As suas convicções são inabituais, tingidas de esoterismo e de pensamento mágico. Podem, por exemplo, pensar deter um poder qualquer, que lhes permite agir sobre o outro. A expressão afectiva é pobre ou inadequada. Os sujeitos esquizotípicos podem desenvolver ideias de referência como por exemplo, impressão de que estão a falar deles, de que lhes estão a ser dirigidos sinais, entre outros, ou ilusões perceptivas. Estas ideias devem ser distinguidas das produções delirantes. As capacidades de comunicação são alteradas com dificuldades em perceber sinais sociais. Existe frequentemente uma certa desconfiança ou uma ansiedade nas relações interpessoais. Podem ser suspeituosos e apresentar um fundo paranóide  (ideias recorrentes de perseguição). As relações interpessoais são geralmente difíceis, sentem-se pouco à vontade em situação social. Têm apenas poucos amigos próximos, porque preferem as actividades solitárias.

Se conhece alguém com estas características ajude essa pessoa a procurar ajuda ou procure você uma ajuda para ela pois na maior parte das vezes estas pessoas não reconhecem que estão doentes e criam mundos só deles como defesa a tão grande sofrimento.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As Dificuldades de Aprendizagem e os Problemas Emocionais



As dificuldades na aprendizagem caminham a maior parte das vezes ao lado que problemas emocionais. São várias as situações emocionais e comportamentais que se manifestam através da dificuldade na escola e ganham forma no insucesso escolar.

Não é fácil perceber o porquê desse insicesso escolar, o certo é que algumas crianças, diante da aprendizagem, criam resistências e bloqueios pelos medos e ansiedades que tal situação lhes provoca, o que as leva a grande instabilidade.

Estas crianças organizaram-se psiquicamente face às condições de vida em que se deu o seu desenvolvimento, e essa organização pessoal cheia de carências ao nível afectivo, ou fruto da vida fantasmática (fantasias da criança), não é compatível com o processo de aprendizagem.

Muitas vezes, os pais e os profissionais de educação (professores e educadores), ficam sem saber o que fazer, perante estas dificuldades que por vezes surgem no decorrer do processo de aprendizagem escolar das crianças. Estas dificuldades são cada vez mais notórias em idade mais tenra. Sucedem-se os pedidos de avaliação psicológica, oriundos de diversos técnicos. No entanto, estes testes apenas têm como função avaliar os componentes cognitivos e de funcionamento geral da criança. É-nos fornecida uma informação que em pouco ajuda e que apenas pode servir para desresponsabilizar os adultos envolvidos, ao ponto de se poder dizer “afinal há um problema!”. No entanto, o que os testes nos dizem é precisamente o contrário. Ao nível cognitivo está tudo bem. A nível emocional não.

Na generalidade dos casos não são as lacunas a nível cognitivo cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que faz com que a criança não se sinta disponível interiormente para manter a vontade de conhecer e aprender. Estas crianças estão preocupadas com outras coisas, cheias de outras coisas,coisas que perturbam, podemos dizer, logo não existe espaço para mais nada, e o conteúdo das aprendizagens pode por vezes despertar emoções difíceis de viver.

Nestes casos, e sempre que os professores ou pais verifiquem que a criança não está bem emocionalmente, poderão recomendar que consultem alguém da especialidade. Ao procurar o Psicólogo Clínico, será feita uma avaliação cognitiva e emocional para que se conclua qual a melhor intervenção e a necessidade ou não de um acompanhamento psicológico. Quase sempre é. Se for necessária intervenção de pedopsiquiatria será aconselhado pela psicóloga que os pais o façam. Poderá ser necessária uma intervenção multidisciplinar.

É de salientar que quando a família está receptiva e com disponibilidade para ajudar realmente a criança, um bom trabalho em conjunto com a família e a criança, é suficiente para desbloquear o problema emocional. Quanto mais o problema se arrasta no tempo, mas difícil será inverter a situação. Culpabilizar os pais e a escola não é solução, em nada ajuda a criança.

Características Principais nestas crianças:

* Irrequietude constante, não raras vezes confundida com a hiperactividade;
* Tristeza;
* Apatia;
* Agressividade verbal
* …

Quando a tem este género de problemas, eles são o reflexo do meio que os envolve. Influencia e é influenciada. É necessária uma intervenção especializada no contexto por que se não houver, o problema arrasta-se, podendo complicar uma situação que pode ter uma solução rápida.
É muito importante que os pais estejam alertas sempre que algum técnico sugira que a criança é hiperactiva, tem qualquer doença do espectro do autismo, síndrome de Asperger, dislexia, e peçam uma segunda opinião. Está na moda, fruto da criação de alguns centros de desenvolvimento infantil, atribuírem rótulos deste tipo a todas as crianças.

Procure ajuda para o seu filho e para si!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Personalidade Dependente


A Personalidade Dependente caracteriza-se por uma falta de confiança em si mesmo por uma dificuldade de funcionar de maneira autónoma que leva o sujeito a incumbir nos outros responsabilidades importantes nos diversos domínios da sua vida.

Segundo Birtchnell (1988), ao longo do seu desenvolvimento estas pessoas sofreram défices na constituição da dependência: défice de separação, défice da identidade pessoal, défice da confiança nas suas capacidades, défice na avaliação do seu próprio valor e défice na capacidade de inserção no mundo dos adultos. De acordo com Bornstein (1993) são quatro as componentes principais da dependência patológica: cognição (percepção de si mesmo como fraco e ineficaz), afectiva (inquietação perante as responsabilidades), motivacional (passividade, necessidade de ser amparado pelo outro), comportamental (procura de apoio e de aprovação).


Sintetizando, as características da Personalidade Dependente são:

* Dificuldade em tomar decisões na vida quotidiana sem a tranquilização e o aconselhamento excessivo dos outros;

* Necessidade que outros assumam as responsabilidades dos mais diversos domínios importantes da sua vida;

* Dificuldade em exprimir o seu desacordo em relação ao outro por receio de perder o ser apoio ou aprovação;

* Dificuldade em iniciar projectos ou fazer coisas sozinho por falta de confiança em si mesmo e nas suas capacidades;

* Procura insistentemente o apoio e a aprovação do outro ao ponto de fazer coisas voluntariamente coisas desagradáveis;

* Sente-se pouco à vontade ou impotente quando está sozinho por grande receio de não ser capaz de se desembaraçar;

* Quando uma relação próxima termina procura urgentemente uma outra relação que possa assegurar os cuidados e o apoio que necessita;

* Preocupa-se de forma irrealista, por receio de ser deixado sozinho  a resolver as situações.